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Hoje percebi que Elias começou a criar algo que eu não esperava.
Não exatamente amigos.
Talvez uma pequena comunidade de pessoas dispostas a ouvi-lo.
Éramos poucos.
Sempre fomos.
A maioria das pessoas que cruzou com Elias o viu apenas como um homem estranho, alguém com uma história improvável demais para ser levada a sério.
Alguns acreditam que ele precisa de tratamento.
Outros acham que tudo não passa de uma fantasia elaborada.
Há também aqueles que simplesmente preferem não pensar sobre isso.
É mais confortável.
Mas existe um pequeno grupo que continua voltando.
Eu.
Dr. Augusto.
E mais duas pessoas que conheceram Elias durante os últimos dias.
Não temos a mesma opinião sobre ele.
Nem deveríamos.
Mas temos algo em comum.
A curiosidade.
Hoje nos reunimos na pequena sala ao lado do jardim da clínica. Elias estava sentado conosco, ouvindo mais do que falando.
Em determinado momento, uma das pessoas perguntou:
“Você realmente acredita que pertence a outro mundo?”
Elias respondeu com tranquilidade.
“Eu não preciso que vocês acreditem.”
A pessoa pareceu surpresa.
“Então por que continua contando?”
Elias olhou para cada um de nós.
“Porque algumas histórias não são contadas para convencer.”
“Para quê, então?”
“Para despertar perguntas.”
Fiquei em silêncio.
Talvez fosse exatamente isso que ele vinha fazendo desde o primeiro dia.
Não nos oferecendo respostas.
Mas retirando, lentamente, a certeza que tínhamos sobre as nossas próprias respostas.
Depois de algum tempo, alguém perguntou se ele se sentia sozinho.
A pergunta pareceu tocá-lo de uma maneira diferente.
Elias olhou para as próprias mãos.
“Às vezes.”
Foi uma resposta simples.
Humana.
Talvez a mais humana que já ouvimos dele.
Perguntei então se era por estar longe de Orionis.
Ele sorriu.
“Não.”
“Então por quê?”
“Porque estar cercado de pessoas não significa ser compreendido.”
Ninguém respondeu.
A frase permaneceu conosco.
Percebi então que talvez o que Elias representa não possa ser compreendido por todos.
Talvez nem deva.
Ele não é apenas o homem que afirma ter vindo de Orionis.
Para mim, tornou-se uma pergunta ambulante.
Uma pergunta sobre quem somos.
Sobre o que chamamos de realidade.
Sobre quanto da nossa vida é realmente escolhido e quanto apenas repetimos porque aprendemos assim.
Para o Dr. Augusto, ele talvez ainda seja um enigma clínico.
Para outros, talvez seja apenas um homem traumatizado.
Para mim, é impossível reduzi-lo a qualquer uma dessas possibilidades.
E talvez seja justamente por isso que somos tão poucos ao redor dele.
A maioria das pessoas procura certezas.
Nós começamos a aprender a conviver com perguntas.
Antes de irmos embora, Elias nos disse algo que ficou comigo.
“Não procurem compreender quem eu sou.”
Olhou para cada um de nós.
“Procurem compreender o que acontece dentro de vocês quando estão diante de algo que não conseguem explicar.”
Fiquei pensando nisso durante todo o caminho de volta.
Talvez esse pequeno círculo não exista porque entendemos Elias.
Talvez exista porque, perto dele, descobrimos que ainda temos muito a compreender sobre nós mesmos.
E talvez seja isso que ele representa.
Não uma resposta.
Mas um espelho diante do qual poucos têm coragem de permanecer. 🌌
“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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