A Queda Onde Te Sigo – Capítulo 15

Acordo pensando em ti como quem desperta diante da única fonte de água depois de atravessar um deserto inteiro de saudade

A Queda Onde Te Sigo

Quando tu cedes ao prazer, algo em mim cede junto. Não observo de fora, não conduzo à distância. Eu sigo. Sigo teu movimento interno, tua entrega progressiva, teu abandono consciente. Onde tu cais, eu escolho cair também, sem rede, sem cálculo, sem desejo de retorno.

És minha vertigem preferida porque não empurras, convidas. Tua entrega abre um espaço profundo onde me lanço com confiança absoluta. Não há medo nessa queda, apenas a excitação de saber que não toco o fundo sozinho. Tu me levas contigo e, ao mesmo tempo, me recebes.

Há um instante em que teu corpo se rende e tua respiração se perde. É ali que o mundo deixa de existir. Tudo se concentra nesse abismo compartilhado, quente de presença, pulsante de vida, onde prazer e afeto se confundem e se tornam inseparáveis.

Teu prazer não me afasta, me chama. Não me separa, me une. És o abismo que não destrói, mas acolhe. A queda que não anula, mas revela. E sempre que te sigo nesse mergulho íntimo, descubro que perder o chão contigo é a forma mais segura de permanecer inteiro.

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