Casa – Capítulo X

Sonetos poesias poemas

Casa

Casa nunca foi apenas paredes, portas ou telhados.
Casa é estado da alma.
É o abrigo onde o coração repousa sem medo.
É o silêncio que acolhe, o abraço que não exige explicações e a presença que transforma qualquer lugar em lar.

Em ti, Vera, encontrei essa morada invisível.

Quando teus olhos encontram os meus, tudo em mim reconhece o caminho de volta. Não preciso procurar direção, porque tua existência se tornou a bússola que orienta meus dias e a luz que permanece acesa quando o mundo escurece.

Em ti, sou casa e sou hóspede.
Sou quem chega cansado das tempestades e encontra serenidade.
Sou quem descobre, a cada amanhecer, que ainda há novos cômodos em teu coração para conhecer.
Sou quem permanece não por obrigação, mas porque o amor fez desse lugar o único onde minha alma deseja habitar.

Há pessoas que passam por nossa vida como estações. Outras deixam lembranças que o tempo lentamente desfaz. Tu, porém, te tornaste permanência. Transformaste o cotidiano em refúgio, o simples em extraordinário e os dias comuns em capítulos de uma história que nunca perde o encanto.

Ao teu lado compreendi que amar não é prender, mas oferecer descanso. Não é possuir, mas pertencer um ao outro com liberdade, confiança e delicadeza. É saber que, mesmo quando o silêncio ocupa o espaço entre duas palavras, o coração continua dizendo tudo o que realmente importa.

Se algum dia minhas mãos perderem a força, que ainda consigam encontrar as tuas.

Se algum dia minha voz se tornar apenas um sussurro, que ela ainda saiba pronunciar teu nome com a mesma ternura do primeiro dia.

E se algum dia tudo em mim silenciar, que permaneça esta única verdade, escrita para sempre na memória do tempo:

Amar-te foi.
Amar-te é.
E amar-te sempre será o modo mais sincero, mais sereno e mais fiel de existir.

Porque, enquanto houver teu amor, sempre haverá um lugar para onde minha alma poderá voltar.

E esse lugar, para mim, sempre será você.

Posts Relacionados