O Quarto Separado – 212

Reino de Veramor nova capa

O Quarto Separado

A noite chegou silenciosa sobre Veramor.

Depois da discussão daquela tarde, o castelo parecia mais quieto do que o habitual. Não porque faltassem sons. O vento ainda passava pelos jardins. As folhas ainda sussurravam entre si. Ícaro ainda murmurava baixinho em seu poleiro antes de adormecer. Mas havia uma espécie de recolhimento pairando sobre tudo.

O Rei permaneceu por algum tempo no novo salão, organizando papéis que já estavam organizados. Seus olhos percorriam páginas sem realmente lê-las. A mente voltava repetidamente às palavras trocadas horas antes.

No quarto principal, a Rainha observava a chama tranquila da lareira. Também não encontrava repouso. Não estava zangada. Não queria vencer discussão alguma. Apenas precisava respirar longe da intensidade que ambos haviam carregado naquele dia.

Foi ela quem tomou a decisão.

Com delicadeza, preparou um dos antigos aposentos da ala leste. Um quarto confortável, iluminado pela luz suave de uma luminária antiga, com uma janela voltada para os jardins internos.

Quando o Rei percebeu, não houve protesto.

Também compreendeu.

Nenhum dos dois desejava distância permanente.

Precisavam apenas de espaço.

Talvez pela primeira vez em muitos anos.

Talvez pela primeira vez desde que Veramor se tornara mais do que um castelo e passara a ser um lar.

Bravus acompanhou a movimentação com evidente confusão. Caminhava entre os corredores, olhando de um lado para o outro, como se tentasse entender por que os dois não estavam seguindo a rotina de sempre.

Nilo escolheu permanecer junto à Rainha. Instalou-se sobre uma poltrona próxima à cama e ali ficou, silencioso, oferecendo sua presença tranquila.

Luzia acompanhou o Rei até o quarto principal. Saltou para a janela e observou a noite lá fora, como uma guardiã silenciosa dos pensamentos que ele não conseguia organizar.

Ícaro, percebendo algo diferente, não cantou. Apenas acomodou as penas e permaneceu atento ao silêncio do castelo.

Quando finalmente se deitaram, cada um em seu quarto, a sensação era estranha.

Não havia alívio.

Também não havia ressentimento.

Havia ausência.

O Rei olhou para o espaço vazio ao seu lado. Quantas noites haviam atravessado juntos? Quantas alegrias, preocupações, planos e invernos tinham compartilhado naquela mesma cama?

A Rainha, do outro lado do castelo, teve pensamento semelhante.

O quarto estava confortável.

Mas não era completo.

As horas avançaram devagar.

O vento passou pelas janelas.

A lua percorreu seu caminho silencioso pelo céu.

E os dois compreenderam algo que talvez nunca tivessem percebido com tanta clareza.

O amor maduro não é apenas a alegria de estar junto.

É também sentir falta quando a distância, mesmo pequena, se instala.

Nenhum deles dormiu imediatamente.

Cada um permaneceu por algum tempo olhando para a escuridão, ouvindo os próprios pensamentos.

Não havia raiva.

Não havia orgulho.

Apenas duas pessoas que se amavam profundamente e que, naquela noite, precisavam aprender uma nova lição.

Às vezes, o espaço não existe para separar.

Existe para permitir que dois corações encontrem novamente o caminho de volta um para o outro.

E enquanto Veramor repousava sob a luz da lua, o castelo inteiro parecia esperar pelo amanhecer. Porque algumas noites não são o fim de nada.

São apenas a ponte silenciosa entre a dor e a reconciliação.

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