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Acordamos na mesma respiração. Não sei dizer quem moveu primeiro o braço, quem inclinou o rosto. Só sei que nossos corpos já se buscavam antes que a mente entendesse o que queria a pele.
A luz que entrava pelas frestas da janela era macia, quase líquida, dessas que não acordam, apenas embalam. O quarto todo parecia flutuar. E sobre nós, o lençol branco, tão puro e largo quanto uma nuvem parada no meio do sonho.
Debaixo dele, não havia pressa. Havia apenas o deslizar de superfícies quentes, o atrito calmo de coxas, barrigas, ombros. O tecido fino descia pelos nossos contornos como água morna, revelando às cegas o que os olhos já haviam jurado guardar. Ele subia e descia ao ritmo de nossas pélvis, formando pequenas montanhas e vales de linho, geografia branca de um continente que só nós dois habitávamos.
Suas mãos percorriam minhas costas por baixo do pano, e eu sentia cada dedo como se fosse a primeira vez. Não porque não lembrasse de outras noites, mas porque o lençol nos transformava em silhuetas puras, sem nome, sem história, apenas dois corpos se reconhecendo na penumbra de um sonho úmido.
Minha boca encontrou seu pescoço através do véu de algodão. O tecido ficou ainda mais fino entre nós, embebido de suor e desejo. Você arqueou as costas e o lençol escorregou um pouco, deixando à mostra a curva do seu ombro. Eu puxei de volta, cobrindo-nos como se aquele fosse nosso único mundo, um útero de linho onde nos reinventávamos a cada movimento.
Quando entrei em você, foi com a lentidão de quem atravessa uma névoa. O lençol boiou um instante no ar, depois assentou sobre nossos corpos unidos, desenhando cada ponto de contato. Seus joelhos se ergueram, e duas montanhas brancas surgiram sob o tecido. Minhas mãos as escalaram devagar, sentindo a temperatura subir, a umidade vazar pelas bordas daquele céu improvisado.
Nossos gemidos saíam abafados, como vindos de dentro de um casulo. O lençol capturava os sons e os devolvia quentes contra nossa pele. Em certo momento, você o puxou por dentro com os dentes, e ele se esticou entre nós como uma segunda membrana, fina o bastante para o desejo atravessar, grossa o bastante para manter o sonho intacto.
Eu virei seu rosto de lado, lambi o tecido sobre sua boca aberta. Você riu um riso sufocado, molhado. E então puxou meu quadril com mais força, e o lençol se tornou vela num temporal: estalou, voou, quase rasgou. Mas não rasgou. Ficou ali, testemunha muda do nosso naufrágio branco.
Quando gozamos, foi juntos, num tremor que fez o tecido ondular como a superfície de um lago depois da pedra. Por alguns segundos, não houve ar, não houve som, só aquele véu descendo devagar sobre dois corpos que já não sabiam onde um começava e o outro terminava.
Depois, o lençol amanheceu sobre nós. Dobrado, amassado, manchado de vida. E ainda branco. Ainda puro. Ainda sonho.
“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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