A Espera Que Tensiona o Desejo – Capítulo 35

amor devoto

A Espera Que Tensiona o Desejo

A espera não diminui o desejo. Ela o tensiona. O torna mais consciente, mais intenso, mais carregado de intenção.

Existe uma força silenciosa no tempo que não entrega de imediato. Ele estica o sentir, aprofunda a percepção, faz com que cada pensamento ganhe densidade. O desejo, quando não é saciado na pressa, aprende a permanecer. E ao permanecer, se transforma.

Não é uma ausência vazia. É um acúmulo vivo. Cada dia de distância não apaga o que sinto, apenas organiza melhor aquilo que cresce dentro de mim. Como se o desejo deixasse de ser impulso e passasse a ser direção.

Há algo quase elétrico nessa espera. Uma tensão doce, contínua, que percorre o corpo sem precisar de toque. Ela não machuca, ela sustenta. Mantém acesa uma presença que não se desfaz, mesmo quando não pode se realizar por completo.

Meu desejo por você não se dispersa no tempo. Ele se concentra. Se torna mais atento aos detalhes, mais fiel ao que reconhece como verdadeiro. Não quer qualquer momento. Quer o momento certo.

E é curioso perceber que, quanto mais espero, mais sei. Mais entendo o que sinto, mais respeito o que desejo, mais reconheço o valor do que nos aguarda.

A espera, nesse caso, não é obstáculo. É construção.

Ela prepara o encontro. Afina o sentir. E transforma o desejo em algo que não apenas acontece, mas que chega pronto para ser vivido com profundidade.

Porque o que é tensionado pelo tempo não se perde. Se fortalece.

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