O Jardim que Floresceu Outra Vez – Capítulo 185

Reino de Veramor nova capa

O Jardim que Floresceu Outra Vez

A primavera chegou a Veramor sem alarde, como quem respeita o tempo das curas profundas. O jardim, que antes repousava em silêncio, começou a despertar aos poucos. Primeiro surgiram brotos discretos, depois cores tímidas, até que as flores se abriram por inteiro, como se soubessem que aquele era o momento certo. O ar mudou. Havia leveza, perfume e promessa em cada manhã.

O Rei e a Rainha caminharam juntos entre os canteiros renovados. Os passos ainda eram atentos, mas já não carregavam o peso do inverno. Havia alegria serena nos gestos, uma saúde que não se anunciava em exuberância, mas em constância. Ao tocarem as pétalas recém-abertas, era como se reconhecessem nelas algo próprio. O que florescia do lado de fora era reflexo fiel do que havia sido cuidado por dentro.

As flores pareciam responder à presença deles. Algumas se inclinavam suavemente com o vento, outras se mantinham firmes, exibindo cores intensas. Nada era excessivo. Tudo estava em equilíbrio. O jardim não celebrava apenas a estação, celebrava a permanência. Cada flor carregava a memória do frio superado e a coragem silenciosa de continuar crescendo.

Ícaro cantava entre os galhos com notas mais claras, acompanhando o despertar do dia. Lórien deitava-se à sombra, tranquilo, como quem reconhece a paz quando ela retorna. Bravus explorava os caminhos com curiosidade calma. Nilo caminhava entre as plantas com passos precisos, atento ao detalhe. Luzia observava tudo de um ponto elevado, guardando o conjunto com olhar sereno. Cada presença fazia parte daquele renascimento compartilhado.

O Rei respirou fundo e sorriu. A Rainha fechou os olhos por um instante, sentindo o sol tocar o rosto. Não era apenas o jardim que florescia outra vez. Era a vida deles, agora mais consciente, mais grata, mais inteira. A primavera não apagava o que foi vivido, mas dava novo sentido a tudo.

Em Veramor, o jardim tornou-se espelho. A natureza refletia o amor que resistiu, o cuidado que permaneceu e a alegria que voltou sem pressa. E assim, entre flores abertas e corações alinhados, a primavera confirmou o que eles já sabiam. Quando o amor é verdadeiro, ele sempre encontra um jeito de florescer outra vez.

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