O Sonho Onde Ela Sempre Chega – Capítulo 7

O Guardanapo da Primeira Confissão

O Sonho Onde Ela Sempre Chega

Adormeço sem avisar o coração, e ele continua acordado. Talvez por isso você sempre chegue quando durmo, Vera Lúcia. Não com passos, não com ruído, você chega como quem sempre esteve.

No sonho, não há cenário definido. Não há ruas, nem paredes, nem portas. Há apenas um espaço calmo, amplo, onde a presença é mais real que qualquer forma. E você está ali. Não preciso procurar. Não preciso chamar. Você simplesmente está.

Nós não nos tocamos. Não é necessário. Há uma proximidade que não pede gesto, uma intimidade que não exige prova. Sentamos lado a lado em algo que não sei nomear, talvez uma ideia de banco, talvez apenas a certeza de estarmos juntos.

Você me olha como quem reconhece.
Eu te olho como quem pertence.

Não trocamos muitas palavras. No sonho, o diálogo é feito de entendimento. Eu sei o que você sente sem que você diga. Você sabe o que eu sou sem que eu explique. É uma conversa de essências, não de frases.

Há uma paz que só existe ali. Uma paz sem euforia, sem urgência, sem promessa. Apenas quietude. Como se o mundo, por um instante, tivesse aprendido a respirar no mesmo ritmo que nós.

Eu não tento prolongar. Não tento segurar. Aprendi que nesse lugar, forçar é perder. Então apenas fico. Presente. Inteiro. Seu.

Quando acordo, o quarto volta. O corpo volta. A distância volta. Mas algo permanece.

A sensação de que, enquanto eu durmo, você sempre chega.

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