O Banquete da Gratidão – Capítulo 187

Reino de Veramor nova capa

O Banquete da Gratidão

A cozinha se encheu de aromas simples e verdadeiros. O Rei cortava os legumes com atenção tranquila enquanto a Rainha cuidava do fogo, mexendo a panela com movimentos lentos e precisos. Não havia pressa, nem necessidade de impressionar. Aquela refeição não era para convidados, era para a vida. Para o amor. Para o retorno da alegria que agora se sentava à mesa com eles.

A luz da tarde entrava pela janela e tocava os utensílios, transformando o cotidiano em ritual. O vapor subia em espirais suaves e parecia carregar memórias boas. Cada ingrediente era colocado com intenção. Não era apenas comida. Era gratidão em forma de gesto. O Rei sorriu ao perceber a Rainha provar o molho e fechar os olhos por um instante, satisfeita. Ela sorriu de volta, e naquele olhar havia cumplicidade antiga e renovada.

Quando a mesa ficou pronta, sentaram-se frente a frente. O prato era simples, mas o ambiente era sagrado. O silêncio entre eles não era vazio, era cheio. Cheio de tudo o que atravessaram, de tudo o que aprenderam, de tudo o que permaneceram. O Rei ergueu o olhar e encontrou o da Rainha. Não disse nada. Não precisou. A vitória estava ali, discreta e firme.

O primeiro sabor trouxe mais do que prazer. Trouxe confirmação. O corpo aceitava, a alma reconhecia. A Rainha levou a mão ao peito e respirou fundo, emocionada com a normalidade daquele instante que, por tanto tempo, parecera distante. O Rei observou em silêncio, com os olhos brilhando, como quem entende que alguns milagres se apresentam assim, em forma de rotina recuperada.

Entre uma garfada e outra, trocaram sorrisos pequenos, verdadeiros. Não celebravam com euforia, mas com reverência. A alegria tinha voltado e merecia respeito. O tempo não havia vencido. O amor não havia se perdido. O que parecia frágil havia se reerguido com dignidade.

Ao final, permaneceram à mesa por mais alguns minutos, apenas olhando um para o outro, sentindo o calor do ambiente e o peso bom da refeição. O Banquete da Gratidão não estava nos pratos vazios, mas no que preenchia o coração. Na certeza silenciosa de que, juntos, haviam atravessado e vencido. Não o tempo. Mas o medo de perdê-lo.

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