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Hoje a televisão permaneceu ligada durante boa parte da manhã.
Normalmente, ninguém presta muita atenção ao noticiário. As notícias entram e saem como o movimento das nuvens: constantes, previsíveis e, muitas vezes, esquecidas rapidamente.
Mas hoje foi diferente.
Uma tragédia ocupava todos os canais.
Imagens de destruição se repetiam sem parar. Repórteres falavam com urgência. Especialistas tentavam explicar o ocorrido. Políticos prometiam respostas. Comentadores discutiam responsabilidades.
O cenário era familiar.
Dolorosamente familiar.
Observei Elias enquanto as imagens passavam na tela.
Ele assistia em silêncio.
Sem indignação aparente.
Sem surpresa.
Sem julgamento.
Apenas observava.
Depois de alguns minutos, o Dr. Augusto desligou a televisão.
A sala mergulhou em um silêncio pesado.
Foi então que Elias falou.
“Mais uma vez.”
Ninguém respondeu.
“Mais uma vez o medo encontrou uma forma de se manifestar.”
O doutor cruzou os braços.
“Você fala como se tragédias fossem inevitáveis.”
Elias balançou a cabeça.
“Não inevitáveis. Repetidas.”
A diferença entre as duas palavras ficou pairando no ar.
Perguntei o que ele queria dizer.
Ele olhou para mim com a mesma serenidade de sempre.
“Vocês costumam tratar cada tragédia como um acontecimento isolado.”
“E não é?” perguntei.
“Nem sempre.”
Ele fez uma breve pausa.
“Os eventos mudam. Os cenários mudam. As pessoas mudam. Mas as causas profundas frequentemente permanecem as mesmas.”
O Dr. Augusto pareceu interessado.
“Quais causas?”
“Medo. Ganância. Orgulho. Desejo de controle. Incapacidade de enxergar o outro como parte de si.”
Anotei cada palavra.
A televisão estava desligada, mas as imagens continuavam vivas em minha memória.
Elias prosseguiu.
“Vocês chamam os acontecimentos de diferentes nomes. Conflitos, crises, disputas, guerras, colapsos.”
Ele olhou para a janela.
“Mas muitas vezes estão observando a mesma ferida usando roupas diferentes.”
Ninguém falou por alguns segundos.
Aquela frase parecia desconfortavelmente verdadeira.
O Dr. Augusto respirou fundo.
“Então você acredita que a humanidade não aprende?”
Elias voltou o olhar para ele.
“Aprende. Muito.”
“Então por que continua repetindo os mesmos erros?”
Pela primeira vez, Elias demorou um pouco mais para responder.
“Porque conhecimento e sabedoria não são a mesma coisa.”
O silêncio retornou.
Lembrei-me de tudo o que havíamos discutido nos últimos dias. Tecnologia, ciência, progresso, consciência.
Talvez ele estivesse apontando para algo que raramente gostamos de admitir.
Sabemos cada vez mais sobre o mundo.
Mas ainda sabemos muito pouco sobre nós mesmos.
Antes de encerrar a conversa, fiz uma última pergunta.
“Você acha que isso pode mudar?”
Elias sorriu.
Não foi um sorriso de certeza.
Nem de dúvida.
Foi apenas um sorriso tranquilo.
“Se eu não acreditasse nisso, Vera, não haveria motivo para continuar vindo aqui.”
A sessão terminou pouco depois.
Mas algo permaneceu comigo.
A tragédia do noticiário ocupou apenas um dia.
A reflexão que ela provocou talvez permaneça por muito mais tempo.
Porque, às vezes, o verdadeiro problema não é o caos que vemos.
É o fato de continuarmos produzindo as mesmas causas que o criam. 🌌
“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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