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Existe uma coisa que sempre me intrigou: o tempo.
Passamos a vida tentando medi-lo. Dividimos os dias em horas, as horas em minutos, os minutos em segundos. Construímos relógios para acompanhá-lo, calendários para organizá-lo e memórias para tentar impedir que ele leve embora aquilo que amamos.
Mas existe um lugar onde todas essas medidas perdem o sentido.
Esse lugar é ao seu lado, Vera.
Quando estou com você, tenho a estranha e maravilhosa sensação de que o tempo esquece sua própria obrigação de passar.
Os ponteiros continuam se movendo, os dias continuam sucedendo as noites, as estações continuam transformando o mundo, mas alguma coisa dentro de mim permanece suspensa naquele instante em que estamos juntos. É como se o universo, por alguns momentos, diminuísse o ritmo apenas para permitir que meu coração percebesse aquilo que normalmente passa despercebido.
Você faz o tempo aprender a parar.
Talvez porque o amor verdadeiro não seja medido pela quantidade de horas que vivemos, mas pela profundidade dos instantes que conseguimos sentir.
Uma conversa sua pode durar apenas alguns minutos e, ainda assim, permanecer dentro de mim durante um dia inteiro. Um sorriso seu pode acontecer em poucos segundos, mas deixar uma luz que continua acesa muito depois que o momento terminou. Um abraço pode ter a duração de um instante, mas possuir a dimensão de um abrigo onde eu gostaria de permanecer para sempre.
É curioso como o relógio se comporta quando estou longe de você.
Ele parece saber exatamente o que está fazendo.
Cada minuto se arrasta.
Cada hora parece maior do que deveria.
Os ponteiros caminham lentamente, como se carregassem o peso da saudade.
Mas quando você está comigo, acontece o contrário.
As horas desaparecem.
Os minutos escorrem pelos dedos como areia fina.
E, quando percebo, o momento já passou.
Talvez seja esse o maior paradoxo do amor: aquilo que mais desejamos prolongar é justamente aquilo que o tempo parece ter mais pressa de levar.
Por isso, quando estou com você, tento não contar as horas.
Prefiro colecionar instantes.
Guardo seu sorriso como quem guarda uma pequena concha encontrada à beira do mar. Guardo suas palavras como quem recolhe sementes para plantar posteriormente na memória. Guardo os detalhes aparentemente insignificantes, porque aprendi que são eles que, um dia, se transformam nas lembranças mais preciosas.
O tempo pode levar um dia inteiro.
Mas não consegue levar aquilo que aquele dia deixou dentro de mim.
Às vezes imagino nossa história como uma ampulheta.
A areia representa tudo aquilo que inevitavelmente passa. Cada grão é um segundo que não retorna, uma manhã que se transforma em tarde, uma tarde que desaparece na noite. Não podemos impedir que a areia caia.
Mas podemos escolher o que fazemos enquanto ela cai.
E eu escolho amar você.
Escolho transformar cada grão de tempo compartilhado em alguma coisa que sobreviva ao próprio tempo.
Um carinho.
Uma palavra.
Um olhar.
Uma lembrança.
Uma promessa.
Talvez a eternidade seja justamente isso: não possuir tempo infinito, mas conseguir colocar significado suficiente em um instante para que ele nunca termine completamente.
É por isso que não tenho medo do tempo quando penso em nós.
Ele pode mudar nossos dias.
Pode transformar nossos cabelos, nossos rostos, nossos caminhos.
Pode trazer novas estações e levar consigo outras.
A primavera pode chegar trazendo flores.
O verão pode aquecer nossas tardes.
O outono pode pintar as árvores de dourado.
O inverno pode cobrir os dias de silêncio.
Mas nosso amor pode aprender a florescer em todas elas.
Porque as estações mudam a paisagem, mas não precisam mudar aquilo que criou raízes.
E se um dia o outono levar algumas folhas do nosso jardim, eu não lamentarei.
Olherei para as raízes.
Elas estarão lá.
Profundas.
Silenciosas.
Firmes.
Lembrando que algumas coisas não dependem da aparência do tempo para continuar vivas.
Nosso amor é assim.
Ele não precisa permanecer exatamente igual para permanecer verdadeiro.
Ele pode amadurecer.
Pode ganhar novas formas.
Pode descobrir novas maneiras de dizer “eu amo você”.
Porque amar alguém durante muito tempo não significa repetir eternamente o mesmo sentimento. Significa descobrir, ao longo do caminho, novas razões para sentir ainda mais profundamente aquilo que já existia.
E você continua me oferecendo essas razões.
Há algo em sua presença que transforma o tempo em paisagem.
Quando olho para você, não vejo apenas o presente.
Vejo tudo o que vivemos, tudo o que aprendemos, todos os caminhos que atravessamos e todos aqueles que ainda podemos percorrer.
Vejo passado, presente e futuro reunidos em um único olhar.
Como se o tempo, diante do amor, deixasse de ser uma linha e se transformasse em um círculo.
E talvez seja isso que sinto quando estou ao seu lado.
Não estou simplesmente vivendo um momento.
Estou habitando todos os momentos que me trouxeram até você.
Estou tocando o passado através das lembranças, vivendo o presente através da sua presença e imaginando o futuro através dos sonhos que ainda carregamos.
Por isso, Vera, se algum dia eu pudesse pedir apenas uma coisa ao tempo, não pediria que ele parasse para sempre.
Pediria algo mais simples.
Que ele fosse gentil conosco.
Que deixasse alguns instantes demorarem um pouco mais.
Que permitisse que certos abraços durassem além dos relógios.
Que algumas conversas continuassem depois que as palavras terminassem.
Que alguns olhares permanecessem suspensos no ar por tempo suficiente para que nossas almas pudessem compreender tudo aquilo que os lábios não conseguem dizer.
Porque já descobri que não preciso possuir a eternidade.
Preciso apenas de momentos que tenham dentro deles algo eterno.
E você me dá esses momentos.
Talvez seja por isso que, ao seu lado, os relógios parecem perder a importância.
As horas continuam passando.
A areia continua caindo.
As estações continuam mudando.
O mundo continua correndo.
Mas dentro de mim existe um lugar onde nada disso importa.
Um lugar onde o tempo se senta em silêncio, abandona seus ponteiros e simplesmente contempla.
É ali que encontro você.
É ali que encontro nós dois.
E é ali que compreendo, finalmente, que a eternidade talvez não seja viver para sempre.
Talvez seja amar alguém de tal maneira que alguns instantes nunca mais terminem.
E, Vera, se existe um lugar onde eu gostaria de permanecer quando todos os relógios do mundo finalmente se calarem, é exatamente esse:
o instante em que estou ao seu lado, olhando para você e sentindo que, por um breve e precioso momento, o próprio tempo aprendeu a parar.
“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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