Address
304 North Cardinal
St. Dorchester Center, MA 02124
Work Hours
Monday to Friday: 7AM - 7PM
Weekend: 10AM - 5PM

Naquela manhã, o Castelo de Veramor parecia diferente.
Não porque alguma parede tivesse sido derrubada, nem porque uma nova janela tivesse sido aberta para o jardim. A mudança estava em algo muito mais discreto.
Estava no modo como o Rei Robledo e a Rainha Vera se olhavam.
Depois de tantos dias de tensão, conversas difíceis, silêncios prolongados e, finalmente, daquele abraço simples na cozinha, havia entre eles uma compreensão nova.
Eles haviam descoberto que algumas reconciliações não precisam de grandes discursos.
Às vezes, basta permanecer.
Basta olhar.
Basta escolher novamente.
Robledo estava sentado à mesa do salão menor, diante de alguns documentos relacionados às novas reformas do castelo. Havia plantas, anotações, números e ideias espalhadas sobre a madeira.
Vera entrou carregando duas xícaras de café.
Colocou uma diante dele e sentou-se ao seu lado.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Bravus estava deitado perto da porta. Nilo ocupava uma poltrona como se fosse dono de todo o reino. Luzia observava o movimento pela janela, enquanto Ícaro, empoleirado próximo à varanda, arrumava cuidadosamente as próprias penas.
Robledo segurou a xícara.
Vera sorriu.
“Engraçado”, disse ela.
“O quê?”
“Durante tantos anos, eu pensei que amar alguém fosse principalmente sentir.”
Robledo levantou os olhos.
“E não é?”
“Também é. Mas hoje eu acho que é muito mais.”
Ela fez uma pequena pausa.
“É escolher.”
Robledo ficou em silêncio.
A palavra permaneceu entre os dois como uma coisa simples, mas profundamente verdadeira.
Escolher.
Não escolher apenas nos dias fáceis.
Não escolher apenas quando tudo estava funcionando.
Não escolher apenas quando o outro estava sorrindo, quando havia disposição, quando o corpo estava descansado e quando a vida parecia obedecer aos planos.
Escolher também quando havia cansaço.
Quando existiam opiniões diferentes.
Quando uma palavra atravessava o coração de maneira errada.
Quando os anos começavam a modificar aquilo que um dia parecia imutável.
Robledo pousou a xícara.
“Então talvez seja isso que aprendemos.”
Vera inclinou a cabeça.
“O quê?”
“Que o nosso amor não depende mais de estarmos sempre de acordo.”
Ela sorriu.
“Nem de sermos sempre iguais.”
“Nem de nunca nos magoarmos.”
“Nem de nunca termos medo.”
Robledo segurou a mão dela.
“Depende de continuarmos escolhendo um ao outro.”
Os dedos de Vera se entrelaçaram aos dele.
E naquele gesto havia toda uma história.
Havia os primeiros dias.
As alegrias.
As preocupações.
As noites difíceis.
As manhãs luminosas.
As pequenas discussões.
Os pedidos de desculpa.
Os abraços que vieram depois dos silêncios.
As perdas que deixaram espaços vazios no castelo.
As lembranças de Lórien, que continuavam presentes não como tristeza, mas como parte da história que haviam construído.
Havia também o futuro.
Um futuro que já não precisava parecer perfeito para ser desejado.
Vera olhou para Robledo com ternura.
“Você sabe o que mais gosto nessa ideia?”
“O quê?”
“Que escolher você hoje é diferente de escolher você no começo.”
Ele sorriu.
“Por quê?”
“Porque naquela época eu ainda não conhecia tudo de você.”
Robledo riu baixinho.
“E agora conhece?”
“Agora conheço muito mais.”
Ela apertou a mão dele.
“Conheço suas manias. Seus silêncios. Seus medos. Seu jeito de ficar preocupado. Seu jeito de tentar resolver tudo. Conheço até aquelas pequenas coisas que você faz sem perceber.”
“Isso parece perigoso.”
Vera riu.
“É muito perigoso.”
Os dois sorriram.
Então ela continuou:
“E mesmo conhecendo tudo isso, eu ainda escolho você.”
Robledo sentiu os olhos se encherem de uma emoção tranquila.
Não era a emoção arrebatadora dos primeiros tempos.
Era algo mais profundo.
Mais sereno.
Mais difícil de explicar.
Era a certeza de quem já havia atravessado muitas estações ao lado da mesma pessoa e, apesar de conhecer as mudanças do tempo, ainda encontrava beleza naquele rosto.
“Eu também escolho você”, disse ele.
Vera não respondeu imediatamente.
Apenas levou a mão dele aos lábios e beijou seus dedos.
Ícaro, como se tivesse entendido alguma coisa daquela conversa, soltou um pequeno som melodioso.
Robledo olhou para o pássaro.
“Até Ícaro concordou.”
Vera sorriu.
“Ele sempre sabe quando o coração está dizendo alguma coisa.”
Bravus levantou a cabeça por alguns segundos, como se também quisesse participar daquela decisão, e depois voltou a deitar.
Nilo permaneceu imóvel na poltrona.
Luzia continuou diante da janela.
O castelo seguia funcionando.
Havia contas para organizar.
Reformas para acompanhar.
Projetos para desenvolver.
Problemas que ainda surgiriam.
Haveria dias em que Robledo estaria cansado.
Dias em que Vera precisaria de espaço.
Dias em que um deles entenderia mal uma palavra do outro.
A vida não havia prometido facilidade.
Mas eles já não precisavam dessa promessa.
Tinham algo melhor.
Tinham consciência.
Tinham experiência.
Tinham história.
E tinham a liberdade de escolher.
Mais tarde, caminharam juntos pelo jardim.
O vento movimentava lentamente as árvores, e algumas folhas caíam sobre o caminho.
Robledo olhou para Vera.
“Você percebe que nosso amor mudou?”
“Percebo.”
“Tem saudade de como era antes?”
Vera pensou por alguns segundos.
“Às vezes sinto saudade de algumas coisas.”
“E isso não assusta você?”
“Não.”
Ela parou diante dele.
“Porque amar não é tentar voltar ao que fomos.”
Robledo ficou olhando para ela.
“É aprender a amar quem nos tornamos.”
Vera sorriu.
“E escolher essa pessoa também.”
Ele aproximou-se e a abraçou.
Não havia pressa.
Não havia necessidade de provar nada.
Era apenas um abraço entre duas pessoas que haviam entendido uma das verdades mais difíceis da vida.
O amor não permanece apenas porque começou.
Ele permanece porque, todos os dias, alguém decide cuidar dele.
Decide escutar.
Decide compreender.
Decide perdoar.
Decide recomeçar.
Decide ficar.
E, naquele jardim, sob uma luz suave de fim de tarde, Robledo compreendeu que talvez essa fosse a forma mais madura de eternidade.
Não a promessa de que nada mudaria.
Mas a promessa de que, diante das mudanças, eles continuariam dizendo:
“Eu escolho você.”
Vera encostou a cabeça em seu peito.
Robledo beijou seus cabelos.
Ao longe, Ícaro cantou.
Bravus caminhou lentamente pelo jardim.
Nilo apareceu entre as flores.
Luzia os observava da varanda.
E o Castelo de Veramor parecia compreender, em seu próprio silêncio, que algumas histórias não permanecem vivas porque nunca enfrentam dificuldades.
Permanecem porque, depois de cada dificuldade, duas pessoas ainda encontram uma razão para voltar uma para a outra.
Naquela noite, antes de dormir, Robledo segurou novamente a mão de Vera.
Ela já estava quase adormecida.
“Vera.”
“Humm?”
“Eu escolheria você de novo.”
Ela abriu os olhos e sorriu.
“Eu sei.”
“E amanhã?”
“Também.”
Ele beijou sua testa.
E ela apertou sua mão.
Porque naquele momento os dois sabiam que o amor deles já não era apenas aquilo que sentiam.
Era aquilo que construíam.
Era aquilo que protegiam.
Era aquilo que renovavam.
Era uma escolha consciente feita duas vezes, três vezes, mil vezes, em cada manhã e em cada noite.
E assim, em Veramor, o amor deixou de ser apenas uma promessa feita no começo da história.
Tornou-se uma decisão renovada todos os dias.
Uma escolha.
A mais bonita de todas.
A escolha de continuar sendo nós.

“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
Posts Relacionados







Siga Nossas Páginas no Facebook
