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Naquela noite, Veramor parecia maior.
Não porque suas paredes tivessem mudado, nem porque os corredores estivessem mais longos. Era a distância entre dois corações que fazia o castelo parecer diferente.
Depois da conversa no jardim, algo havia se suavizado entre o Rei e a Rainha. O pedido de desculpas abrira uma porta que antes permanecia fechada pelo orgulho, mas nem todas as feridas desaparecem no mesmo instante em que são reconhecidas.
Havia palavras que precisavam de tempo.
Havia sentimentos que ainda procuravam o próprio lugar.
Por isso, naquela noite, voltaram a se recolher em espaços diferentes.
Não como punição.
Não como ameaça.
Apenas porque, às vezes, mesmo depois de um pedido sincero, o coração ainda precisa respirar antes de conseguir repousar novamente ao lado de quem ama.
O Rei permaneceu em seu quarto.
A cama parecia grande demais.
Ele sentou-se na beira, olhando para o espaço vazio onde a Rainha costumava repousar. Era estranho perceber como uma ausência tão pequena podia ocupar tanto espaço.
Por muitos anos, havia se acostumado à presença dela de maneiras que jamais havia percebido completamente.
O som de seus passos.
O movimento suave das cortinas quando ela abria a janela pela manhã.
O perfume que permanecia no quarto.
A maneira como ela perguntava, mesmo nos dias mais comuns, se ele havia descansado bem.
E, naquela noite, tudo aquilo estava ausente.
O Rei sentiu um aperto silencioso no peito.
Não era medo da solidão.
Era algo mais profundo.
Era o medo de que, pouco a pouco, os silêncios pudessem criar uma distância maior do que aquela que separava dois quartos.
Do outro lado do castelo, a Rainha também permanecia desperta.
Estava sentada perto da janela, olhando as luzes distantes que atravessavam a noite. A carta que escrevera continuava escondida entre as páginas do antigo livro.
Ela pensou em buscá-la.
Pensou em entregá-la.
Mas permaneceu onde estava.
Havia dias em que acreditava conhecer completamente o coração do Rei. Em outros, percebia que nem mesmo depois de tantos anos duas pessoas conseguem conhecer inteiramente os pensamentos uma da outra.
E talvez isso também fosse parte do amor.
Continuar descobrindo.
Continuar perguntando.
Continuar escolhendo permanecer.
Mas, naquela noite, surgiu dentro dela um medo que raramente permitia que ganhasse voz.
E se, um dia, eles simplesmente deixassem de se alcançar?
Não por falta de amor.
Essa era justamente a parte mais dolorosa.
Às vezes, o amor permanece, mas a rotina cresce ao redor dele. As responsabilidades ocupam os espaços. O cansaço reduz as conversas. As preocupações fazem com que duas pessoas passem a viver lado a lado sem realmente caminhar juntas.
A Rainha fechou os olhos.
Era isso que temia.
Não perder o Rei de repente.
Temia perdê-lo aos poucos.
Enquanto isso, Nilo caminhava silenciosamente pelos corredores.
Entrou primeiro no quarto da Rainha. Aproximou-se de suas pernas e recebeu um carinho lento sobre a cabeça. Depois, sem permanecer muito tempo, saiu novamente.
Luzia observava tudo de seu lugar favorito, acompanhando o movimento de Nilo com olhos atentos, como se compreendesse que naquela noite o irmão felino carregava mais uma vez uma missão invisível.
Bravus estava inquieto.
Caminhou até a porta do quarto do Rei, depois retornou ao corredor. Parou diante do aposento da Rainha e inclinou a cabeça, confuso com aquela divisão que não conseguia compreender.
Por fim, sentou-se no meio do corredor.
Como se esperasse.
Ícaro permanecia acordado.
Do alto de seu poleiro, observava o castelo mergulhado naquela estranha quietude. Depois de algum tempo, soltou uma palavra suave, quase como se falasse para si mesmo.
“Juntos…”
O Rei ouviu.
A Rainha também.
Nenhum deles sabia.
Mas, naquele mesmo instante, os dois olharam para a porta de seus quartos.
O Rei pensou em levantar-se.
A Rainha também.
Por alguns segundos, ambos permaneceram imóveis, presos entre o desejo de se aproximar e o receio de que ainda fosse cedo demais.
Então o Rei se levantou.
Caminhou pelo corredor.
No mesmo momento, a porta do quarto da Rainha se abriu.
Os dois se encontraram diante de Bravus, que imediatamente abanou o rabo com uma alegria que parecia ter esperado aquela cena durante toda a noite.
Nilo surgiu logo atrás do Rei.
Luzia aproximou-se com a calma de quem sempre soube que aquilo aconteceria.
Ícaro abriu as asas e soltou um pequeno canto.
O Rei e a Rainha ficaram parados, olhando um para o outro.
Não houve discurso.
Não houve promessa grandiosa.
Apenas a verdade estampada nos olhos dos dois.
Eles tinham medo.
Medo de permitir que o orgulho crescesse.
Medo de deixar que os dias ocupassem o lugar das conversas.
Medo de um dia acordarem e perceberem que haviam se tornado estranhos dentro da mesma história.
A Rainha foi a primeira a se aproximar.
O Rei segurou suas mãos.
E naquele toque compreenderam que o medo de perder não era uma profecia.
Era um aviso.
Um lembrete de que o amor, mesmo depois de tantos anos, precisava continuar sendo escolhido.
Não apenas nos grandes momentos.
Mas nas noites difíceis.
Nos silêncios.
Nas diferenças.
Nas portas que precisam ser abertas.
Eles voltaram juntos para o quarto.
Não porque todos os problemas tivessem desaparecido.
Nem porque o medo tivesse deixado de existir.
Voltaram porque haviam entendido algo essencial.
O verdadeiro perigo não era discordar.
Não era envelhecer.
Não era mudar.
O verdadeiro perigo seria deixar de procurar um ao outro.
E enquanto Bravus finalmente se acomodava perto da porta, Nilo e Luzia encontravam seus lugares preferidos no quarto, e Ícaro deixava o castelo repousar sob o silêncio da madrugada, o Rei e a Rainha adormeceram lado a lado.
Mais conscientes.
Mais humanos.
E talvez, justamente por isso, mais unidos.
Porque naquela noite aprenderam que o medo de perder alguém que se ama profundamente não precisa afastar.
Às vezes, ele pode ser a força que faz dois corações escolherem, mais uma vez, encontrar o caminho de volta.

“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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